Morgana Dark: versatilidade sem limites
Ambiciosa e determinada, Morgana Dark está sempre envolvida em um novo projeto. Além de escrever a autobiografia O Feitiço de Eros, na qual desnuda os bastidores do mundo pornô, esta paulistana de Salto cria todas as peças para a MB, sua grife de lingeries “para mulheres sexualmente bem resolvidas”. Como se não bastasse fazer tudo isso e ainda contracenar, Morgana é, também, diretora de suas próprias produções e saboreia o sucesso de Lições Sexuais de Morgana Dark (seu primeiro filme), enquanto prepara o próximo lançamento: um filme pornô com os fãs. Até lá, o público pode acompanhar sua agenda de shows de strip-tease através do blog, que ela atualiza pessoalmente e recebe quase 3 mil visitas diárias, – além de sua página no xPeeps.com, o maior site comunitário adulto da web. Aos 29 anos, Morgana Dark ganha destaque por sua performance hardcore em mais de 200 filmes e é um dos maiores nomes do pornô brasileiro. A AEBN conversa com esta incansável taurina sobre suas atividades e planos para o mercado pornô.
AEBN: Como você se tornou atriz pornô?
Morgana: Bom, eu enfrentava dificuldades financeiras com a falência de minha microempresa de comunicação visual e, como gostava de dançar, decidi me inscrever no concurso de axé music para o grupo ‘É o Tchan!’. Fiz amizade com uma participante da competição que era acompanhante e ela me chamou para fazer alguns programas na casa noturna em que trabalhava. Eu era uma típica menina do interior e estranhei a idéia inicialmente. Mas, como eu precisava quitar dívidas e, também, sair de um relacionamento de oito anos, decidi fazer. Fiz alguns programas, mas, não gostei. Um dia, um ator pornô que morava no meu prédio me chamou para participar de um filme e eu aceitei, apesar de desconfiada, pois queria muito sair da boate. Conversei com o diretor e fiquei impressionada com o profissionalismo com que as produções pornô são feitas. Fiz meu primeiro filme pela produtora Sexxxy e gostei tanto que faço isso há cinco anos.
AEBN: Quais são os desafios de ser uma estrela pornô no Brasil?
Morgana: O desafio maior é vencer o grande preconceito que ainda existe contra a atuação pornográfica. É preciso que isto aconteça para que sejamos reconhecidos e valorizados financeiramente, como são as estrelas americanas e européias. Mas, o mercado brasileiro atual ainda não permite isso. Assim, além de escrever um livro autobiográfico e criar uma grife de lingeries, ainda faço shows de strip-tease e, agora, atuo na produção e na direção de filmes para complementar minha renda. A vida acaba sendo bem mais corrida porque tenho de lutar para sobreviver desta carreira e buscar outras formas de trabalho.
AEBN: O que fazer para mudar isso?
Morgana: Já notei alguns sinais de mudança e percebo que hoje a aceitação é um pouco maior do que era há cinco anos. Acredito que a indústria pornô brasileira está se transformando lentamente. O ingresso no mercado pornô de celebridades, como Alexandre Frota e Rita Cadillac, semeou uma visão mais liberal nas pessoas e têm cooperado para que o sexo seja percebido como algo natural. A aceitação do trabalho pornográfico está relacionada à própria cultura brasileira e é uma questão de tempo. Por isso, não adianta querer que as mudanças ocorram da noite para o dia. Mas, uma hora dessas, a gente chega lá!
AEBN: Como você vê o futuro da comercialização de filmes pornográficos?
Morgana: Ouço dos grandes empresários da indústria pornô que o futuro do mercado é a comercialização pela Internet, mas, acho que ainda há um pouco de receio em investir nesta área por causa da grande pirataria que acontece no Brasil. Por outro lado, muitos brasileiros ainda não têm acesso à conexão de alta velocidade, o que influencia na qualidade dos vídeos. Eu acredito e pretendo investir no negócio pela Internet, pois sei que este segmento está crescendo cada vez mais.
AEBN: Como surgiu a o projeto de ser diretora de suas próprias produções?
Morgana: Como tenho experiência no ramo e sei o que o publico quer assistir, pensei: por que não dirigir meus próprios filmes? Além de contracenar, produzo e dirijo meu primeiro filme, Lições Sexuais de Morgana Dark, lançado em abril, na Feira Erótica de São Paulo deste ano. De certa forma, este é, também, um pornô educativo, pois interpreto uma professora que dá dicas de sexo. Depois da aula teórica, vem a prática: chamo o ator e faço a cena. Explico, por exemplo, como fazer sexo anal sem dor, o que atraiu bastante o público feminino. Recebi vários e-mails de mulheres dizendo que meu filme ajudou em seus relacionamentos. Foi muito legal.
AEBN: Quando sai seu próximo filme?
Morgana: Estou terminando de produzir um filme no qual contraceno com meus fãs. Recebo muitos e-mails de homens pedindo para fazer um filme comigo e achei que esta idéia poderia virar um filme diferente. Quase 200 homens participaram do concurso que promovi em meu site! Selecionei tipos comuns: gordinhos, magrinhos, barrigudos, carecas, etc. Em diferentes cenas, faço sexo com três homens e uma mulher – todos sem qualquer experiência em filme pornô. Pretendo contracenar com mais um fã e lançar o filme em breve.
AEBN: O que é preciso para ser uma boa atriz pornô?
Morgana: Além do vigor físico, é essencial que a atriz saiba transparecer prazer. Isto é algo básico, que muitas atrizes pornô brasileiras ainda não entenderam. Além de se entregar na cena e saber incorporar uma personagem, uma boa atriz deve ter expressão facial e corporal e saber se posicionar diante das câmeras. Só se destaca quem faz isso. Fiz curso de teatro e, sou uma das poucas que tem um DRT de atriz mesmo. Acho que todas as atrizes pornô deveriam ser profissionalizadas.
AEBN: Dá para sentir prazer na maioria das cenas?
Morgana: Nem todas as cenas ou práticas sexuais correspondem as minhas fantasias. Quando isso acontece e eu não sinto tesão, procuro me concentrar na fantasia do espectador. É claro que com prazer é mais gostoso, mais fácil... Mas, a gente está lá para vender um símbolo sexual. Sentimento não há. É só sexo.
AEBN: O que você não topa fazer em uma cena?
Morgana: Já fiz coisas diferentes, como contracenar com um anão – o que não foi um problema. Com tanto que certos limites não sejam ultrapassados e que a pessoa seja higiênica, concordo em fazer várias coisas que pessoalmente não curto. Já fiquei até careca para um filme e encarei uma cena hardcore de penetração anal dupla. No entanto, nunca faria nada relacionado à escatologia ou sexo com animais, nada do tipo bizarro. Uma vez fiz um filme com cena de estupro e me arrependo até hoje. Senti como se estivesse aprovando a prática deste crime terrível. Chorei o tempo todo e jamais faria de novo.
AEBN: Como foi sua primeira experiência sexual?
Morgana: Perdi a virgindade com uma mulher aos 15 anos. Namoramos durante oito anos e conto detalhes desta experiência no livro. Tivemos uma relação muito especial e o que eu senti por ela foi amor de verdade. Com homem, transei pela primeira vez aos 18 anos.
AEBN: Você se considera bissexual?
Morgana: Não me considero bissexual e, sim, “mente aberta”. No momento, estou em uma relação heterossexual, mas, posso me apaixonar por uma mulher futuramente. Faria um ménage com meu parceiro atual e outra mulher, pois acho bacana os casais que decidem experimentar algo diferente juntos.
AEBN: Longe das câmeras, como é a Morgana Dark na cama?
Morgana: Depois que eu me tornei atriz pornô, passei a ser mais seletiva com relação a minha vida amorosa. Sou romântica e, na intimidade, gosto de sexo com sentimento, feito com carinho. Na vida particular, ceder para todos não tem graça. Quero me relacionar com quem se interessa por mim, Karen e, não, pela Morgana, atriz pornô.
AEBN: Por que você decidiu escrever um livro autobigráfico?
Morgana: Pensei na idéia de atingir um público diferente e achei que minha história daria um bom livro. Além de contar minhas dificuldades e vitórias pessoais, revelo curiosidades sobre os bastidores dos filmes pornográficos e minhas experiências sexuais, em frente e por trás das câmeras, em formato de contos eróticos. Sou a primeira atriz pornô brasileira a escrever uma biografia.
AEBN: Você se inspirou no sucesso do livro de Bruna Surfistinha?
Morgana: Na verdade, não. Sabia que essa comparação seria inevitável, mas eu decidi escrever uma biografia bem antes de tomar conhecimento do livro da Bruna, que é totalmente diferente do meu. Somos ambas profissionais do sexo; mas atuamos em ramos distintos. Apesar de algumas, poucas, participações pornô, Bruna Surfistinha era uma garota de programa e o livro dela fala sobre essa experiência. O meu livro, por sua vez, conta a história de uma atriz pornô e fatos interessantes sobre este mercado no Brasil. Nossas histórias são diferentes.
AEBN: Em sua biografia, você revela que é praticante da religião Wicca, vida pessoal e profissional?
Morgana: Sempre me interessei por ocultismo e devo tudo que conquistei na vida a esta religião. Sou uma “bruxinha do bem”, com direito a caldeirão e vassoura! Tudo de bom que me aconteceu, pessoal e profissionalmente, se deve a minha fé nos rituais e as minhas visualizações positivas. Há muito mistério envolvido em minha vida. E está tudo em meu livro, O Feitiço de Eros.
AEBN: O que você gostaria de estar fazendo em cinco anos?
Morgana: Tenho muita vontade de trabalhar como atriz convencional um dia. Cheguei a estudar interpretação e tenho alguma experiência. Já fiz comerciais de TV, atuei no programa humorístico ‘Sem Controle’, do SBT, e tive uma pequena participação no filme 12 Horas até o Amanhecer, protagonizado pelo ator americano Brendan Fraser. Eu adoraria participar em uma novela da Rede Globo, mas, não acredito que a emissora aceitaria uma atriz pornô atualmente, como fez no passado, na época da pornochanchada. Talvez isto mude um dia.
Fonte: American Entertainment Broadcast Network |